quarta-feira, 28 de março de 2018

Dicas para organizar uma viagem a Buenos Aires

Em julho de 2017, passei duas semanas em Buenos Aires, capital da Argentina, numa viagem preparada por mim mesma, sem agência de turismo envolvida.
            Quando comentava com as pessoas que passaria duas semanas na mesma cidade, quem já havia estado lá dizia que era muito tempo, que era possível conhecer a cidade em apenas quatro dias e que eu deveria aproveitar um dia para pegar a balsa e ir a Montevidéu, no Uruguai. Até cheguei a pesquisar sobre isso e descobri que a melhor empresa para esse serviço é a Buquebus, que oferece o serviço de Buenos Aires a outras cidades no Uruguai também. Contudo, descobri tantos pontos turísticos na capital Argentina mesmo que nem precisei sair da cidade e, ainda assim, certamente não visitei tudo.

            DICAS GERAIS

            Internet

É possível comprar um chip de celular na própria cidade para usar um plano de internet móvel argentino, mas eu preferi usar o wi-fi do hotel, por isso, fiz meu roteiro com print screens dos mapas do Google no Word, salvei no Google Drive e disponibilizei no meu celular no modo off-line para eu me locomover na rua. Contudo, com o aplicativo BA Wifi dá para encontrar os pontos de wi-fi gratuitos da cidade. Não usei o aplicativo para avaliá-lo.

Meio de transporte

Há metrô, ônibus e TAXIS EM TODO O LUGAR! Os táxis oficiais são os pretos com detalhes amarelos. É mais seguro pegar um que tenha Rádio Táxi, porque eles são rastreados. CONTUDO, andei as duas semanas A PÉ! Conforme me disse um Argentino, “Buenos Aires é uma cidade para se conhecer a pé”, porque os pontos turísticos são muito próximos.
Usei transporte somente em quatro momentos
1º e 3º: translado do aeroporto Jorge Newbery ao hotel e depois do hotel para o aeroporto, com a empresa Tienda Leon, a qual eu contratei ainda no Brasil, via WhatsApp;
2º: Para ir do Parque Lezama ao Barrio Chino e do estádio do River Plate à Avenida de Mayo.
O tráfico na cidade é intenso e o táxi fica muito tempo parado, o que encarece a corrida. Peguei um táxi próximo ao Parque Lezama e ele ficou um tempão parado numa avenida próxima ao centro Cultural Kirchner devido às obras na região do Puerto Madero. Como estava encarecendo muito a viagem, desci do táxi no meio da avenida, andei uns 10 minutos pela mesma, que estava com o trânsito parado, peguei outro táxi numa avenida onde o trânsito já havia deslanchado. Portanto, pense bem em que local você vai tomar o táxi!

Aplicativos e sites

Para conhecer melhor os pontos turísticos antes de visita-los e saber se vale a pena, recomendo:

Turismo Buenos Aires – site oficial de turismo da cidade;
BA Turismo – aplicativo oficial de turismo da cidade. Funciona off-line e com ele você pode pesquisar pontos turísticos próximos a outros, o que lhe ajuda a explorar bem a região onde você está. Aplicativo nota 1000!
TripAdvisor – site de avaliação de lugares turísticos ao redor do mundo em várias línguas. Minha dica é optar pelas avaliações em português (se for você for brasileiro), porque assim você terá uma visão de alguém cuja cultura é parecida com a sua e conseguirá decidir melhor se vale a pena visitar determinado lugar ou não. No site também é possível descobrir as atrações mais famosas com base nas avaliações, atrações próximas geograficamente a outras e atrações por tipo (museus, parques, restaurantes etc.). Para mim, é um site de consulta obrigatória antes de visitar qualquer lugar.
As marcas de alfajor que mais gostei foram Oreo (da esquerda
para a direita, o último da primeira fileira), Terrabusi (o primeiro da
segunda fileira) e Shot (o último da terceira fileira).

Alfajor

É o doce tradicional argentino. Há lojinhas de doce que vendem o produto em todo o lugar e os preços variam MUITO. Os preços são mais altos nas avenidas mais movimentadas, como a Avenida de Mayo. Recomendo experimentar de várias marcas, porque cada um tem um diferencial. Gostei mais das marcas Terrabusi, Shot e Oreo.




Restaurantes


Não incluem a taxa de serviço na conta, portanto, cabe a você decidir o valor que vai dar e se vai dar. Alguns cobram a taxa de “cubiertos”, que são os talheres. Portanto, não se assuste ao receber a conta e se deparar com uma valor maior que aquele que você imaginava.

Se tiver alguma pergunta, fique a vontade para postá-la nos comentártios.
Caso queira dicas de museus para visitar em Buenos Aires, leia meu texto Oito museus em Buenos Aires.

Luciana Estarepravo da Silva


sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Comentários opinativos desnecessários no Facebook

Em 2017, pessoas que são minhas amigas no Facebook tiveram uma atitude que acho desnecessária e isso ocorreu mais de uma vez, com “amigos” e assuntos diferentes.
Ao compartilhar notícias, textos opinativos, artigos com dados científicos e até fotos de livros que li e gostei, houve usuário que usou a função “comentário” para dar sua opinião contrária à minha.
O mundo é um lugar mais interessante porque há pessoas com opiniões diferentes, mas creio que é necessário haver bom senso ao escolher como e onde você vai expressar sua opinião.
Nem sempre a função “comentário” do Facebook é um local adequado para isso. Se ela vai ser um local adequado ou não para dar sua opinião, isso vai depender
a)    do assunto;
b)    de quem postou a informação que vai gerar a opção de comentar;
c)    de quem você é em relação à pessoa que fez a postagem inicial.



Assunto

Fico muito incomodada ao ver postagens, principalmente em páginas do Face, e abaixo das mesmas, ver comentários rasos de pessoas que mostram não conhecer o assunto bem o suficiente para discutir sobre o mesmo.
Pessoalmente, acho que se alguém quer arriscar a sua imagem e o seu tempo dando uma opinião em comentários no Facebook, tem que ter conhecimento suficiente para tanto ou, ao menos, deixar claro no comentário que você não tem tanto conhecimento do assunto, mas acha x, y e z sobre o mesmo. Do contrário, o comentário vai servir só para alimentar a vontade de mais pessoas com pouco conhecimento do assunto fazerem número na postagem dizendo coisas inúteis que, às vezes, podem até induzir pessoas com nenhum conhecimento no assunto e que venham a ler os comentários a achar que aquilo que está sendo comentado é uma verdade absoluta.
Além disso, faz parte da análise do assunto antes de se comentar algo sobre ele identificar qual é, de fato, a essência do assunto que o emissor quer transmitir com aquela postagem, seja um texto ou vídeo compartilhado ou algo produzido pela própria pessoa que postou. Por exemplo, suponhamos que alguém poste um vídeo contando sobre como tem se sentido bem sem consumir leite na última semana. Aí, aparece o INTROMETIDO dizendo “Ah... mas consumir leite é importante, por causa do cálcio etc.”. [Falando a real:] Amigo, não corta a brisa da pessoa que está toda feliz com o que ela tem sentido sem tomar leite, tá? Não concorda? Então toma seu leitinho todo dia e usa o SEU PERFIL para falar o quão legal é tomar leite para você. (Parênteses: tomo leite e nunca fiz vídeo falando sobre como deixar de consumir algo me auxiliou em algo. Foi só um exemplo mesmo.)

Quem postou

(Parênteses: do ponto de vista da linguística, há estudos sobre a posição dos falantes no discurso e como ele é influenciado por essa posição. Se você quiser saber mais sobre como “Quem postou” e “Sua relação com quem fez a postagem” influencia a mensagem, vale a pena ler esses estudos)


Página de celebridade é um ótimo exemplo. A pessoa é famosa, está ganhando muito dinheiro por isso e aí, vai o hater deixar seu comentário maldoso na postagem na página oficial da celebridade. [Falando a real:] Amigo, a celebridade está pouco se lixando para o que você acha, porque se ela é tão famosa, é porque há um número grande de pessoas que curte o trabalho dela. Pare de perder tempo espalhando o ódio e vai elogiar quem você gosta! ;)
No caso de perfil pessoal, o cuidado é maior ainda. Já vi enxeridos comentando nas minhas postagens correndo o risco de passar uma vergonha enorme com seus comentários. Eu, Luciana, tenho conhecimento acadêmico sobre certos assuntos, trabalho numa determinada área, sou de certa religião, compartilho de certas correntes de pensamento e, obviamente, a maioria dos meus amigos no Face se encaixam nesse perfil ou têm grande parte dessas características em comum comigo. Uma pessoa ao dar sua opinião contrária a minha nesse contexto está agindo como um peixe fora da água, se expondo desnecessariamente para mim e para os meus amigos, porque a minha intenção ao compartilhar informação que se encaixe no meu perfil mencionado acima é atingir as pessoas que tem algo em comum comigo, não esses “amigos” que estão no meu Face por algum evento do passado. É como alguém comentar que “Maria não é mãe de Deus” no Facebook de uma católica com um monte de amigos católicos. [Falando a real:] Amigo, veja onde você está se metendo ao comentar algo que vai contra a opinião da galera daquele grupo. Nem sempre a sua opinião foi pedida e é mais produtivo você entrar em grupos ou fóruns sobre o assunto. ;) (Parênteses: sou católica e temos um dogma que Maria é a mãe de Deus. Acreditamos que ela é mãe de Deus porque se Jesus é Deus e ela é mãe de Jesus, então, nada mais óbvio que ela ser a mãe de Deus. Pode soar escandaloso para pessoas de religiões que não tem tradição na análise bíblica do papel de Maria na história da salvação, mas, guardadas as devidas proporções, há outras lógicas que podem ser estabelecidas a partir desse raciocínio. Por exemplo, Alberto Santos Dumont voou o primeiro balão dirigível com motor próprio e, por isso, é chamado de pai da aviação. Logo, a mãe dele pode ser chamada de “mãe do pai da aviação”).
Outro ponto importante ao analisar quem postou é saber o comportamento dessa pessoa na rede social e se o seu comentário “bate” com o modo de agir dessa pessoa. Eu, por exemplo, quando dou minha opinião sobre algo no Face o faço de forma neutra, sem aquele discurso inflamado. Também não posto minha opinião todo dia sobre as coisas e também não escrevo textão no Face, pois já tenho esse blog para isso. E, acima de tudo, não comento postagens dos outros! [Falando a real:] Gente!!! Se eu não comento as suas postagens, por que você quer comentar na minha?!?!?! Se toca!!! Não combina!!! Não é assim que as coisas funcionam para mim! E, acima de tudo, não pedi sua opinião! ;)

Sua relação com quem fez a postagem

(Atente-se ao parênteses no início do subtítulo anteior.)

Tenho amigos no Face que não acho que  tenham intimidade comigo suficientemente para valer a pena o mal estar que eles causam à imagem deles ao discordar comigo no Face. (Parênteses: não adiciono desconhecidos no Face, mas adiciono os chamados “conhecidos”. Obviamente que edito as opções de privacidade no que diz respeito à postagens de fotos pessoais ou coisas que envolvam diretamente a mim, minha família e meus amigos mais íntimos de forma que esses  conhecidos não consigam visualizar essa minha intimidade).
Aconteceu de “amigos” escreverem suas opiniões e eu ler e pensar “Ué, mas quem é você mesmo?! Hahaha”. Ou seja, eu tenho a pessoa como amiga no meu Face há muito tempo por algum motivo, eu não curto nem comento nada que ela posta e ela também nunca curte ou comenta o que eu posto e, de repente, ela vem dar sua opinião contrária à minha na MINHA POSTAGEM? [Falando a real:] Amigo, coloque-se no seu lugar! Não concorda com a opinião da postagem, faça uma postagem lá no seu perfil sobre sua opinião, não nos comentários da minha postagem, porque primeiramente não pedi a opinião de ninguém e, segundo, qual importância a sua opinião especificamente tem para mim considerando seu grau de intimidade comigo?

Outras considerações

“Facebook não é fórum”. - Essa é minha frase favorita e passei a usá-la toda vez que vou comentar oralmente com meus amigos o comentário de alguém que expressou uma opinião diferente na minha do meu Face. (Parênteses: Sim! Nem tudo que acontece no Face fica só no Face! Essa minha implicância com gente que vem me dar sua opinião sem eu ter pedido é pauta de conversas com outras pessoas.) [Falando a real:]  Filho, lugar de discutir assunto é em fórum! Quer discutir um assunto, quer expor sua opinião? Procura um grupo no Facebook sobre o assunto! Perfil pessoal é onde as pessoas postam coisas que elas gostam ou sua própria opinião e, geralmente (pelo menos no meu caso), esperam que os outros reajam com like, sorriso, coração, carinha triste (se o assunto é entristecedor), carinha brava (se é algo revoltante) etc. (não é à toa que esses botões existem na plataforma, né?). A maioria dos usuários que eu tenho como amigos (e eu me encaixo aí) não quer polemizar ou gerar “treta”, como dizem nas redes sociais.
Você não precisa querer convencer todo mundo a ter a mesma opinião que a sua. – várias vezes vejo no meu feed de notícias pessoas expondo sua opinião que é diferente da minha. Sabe o que eu faço? Se está sendo exposto de forma estruturada (um bom texto ou vídeo, com bons argumentos, sem discurso inflamado) paro para ler e, às vezes, até curto, no sentido de “entendi” ou não curto, se acho que mesmo sendo uma opinião bem apresentada, não é algo legal ou correto. Quando é algo que me incomoda muito, passo direto... não leio, nem reajo, nem comento. Contudo, jamais me intrometo tentando fazer o outro pensar como eu, simplesmente porque o mundo é grande e há espaço para muitas opiniões e, acima de tudo, tenho mais coisas para fazer do que ficar “doutrinando” os outros na minha opinião. [Falando a real:] Amiguinho, para de querer ser “ativista” em favor da sua opinião, porque nem sempre ela é uma causa nobre para os outros. Hehehe Deixe as pessoas em paz! Nem todo mundo “vive” na rede social. Viva um pouco fora dela, procurando grupos, cursos, igrejas, movimentos que partilhem da sua opinião!
Confrontação indireta – outra coisa que me incomoda muito e daria textos e textos nesse blog, mas esse é um assunto que eu não tenho coragem de abordar suficientemente porque certamente eu seria atacada por gente que não tem pudor ao discordar dos outros é o fato de que hoje se fala muito em liberdade de expressão, mas essa liberdade não existe. Desculpe a sinceridade, mas a liberdade de expressão existe se você reproduz ou endossa o discurso pronto de certos movimentos. Se você afirmar que não é de tal movimento... Nossa! Os ativistas vão acabar com sua paz na rede social! Aí, você pode me dizer: “Mas, Luciana, você mesma não quer ouvir a opinião dos outros!”. E eu vou responder “Não quero no meu perfil pessoal.” Que fique claro! E, olha que bom exemplo (ironia total): estou tentando convencer alguém de forma indireta, escrevendo um texto no meu blog. Por isso, eu acho interessante o que chamo de “confrontação indireta”. Isso é o que eu faço no dia que vejo muita gente postando sobre algum assunto de um ponto de vista diferente do meu. Ao invés de eu ser a chatona que vai lá comentar na postagem do outro, eu posto algo no meu Face, mostrando um ponto de vista diferente. Pode ser que você me diga “Mas, Luciana, pode ser que a pessoa em questão, que postou uma opinião diferente da sua, nem veja sua postagem”. Realmente, isso pode acontecer, mas meu objetivo é confrontar a ideia, a opinião, e não a pessoa! Acho desnecessário e deselegante confrontar a pessoa diretamente. Se não gosto que façam isso comigo, não faço com os outros. ;)
Recomendações – felizmente agora o Face tem o recurso “Procurando recomendações”. [Falando a real:] Amigo que adora escrever comentários nas postagens dos outros, esse recurso do Face foi feito para você! (Ironia nível 1000!). Quando alguém marcar “recomendações” significa que ela quer sua opinião, seu comentário! Do contrário, não! Entendido?
Não se ache tanto - [Falando a real:] Não queira “aparecer” na postagem dos outros tanto! Não se julgue o dono de uma opinião tão importante! Quer ser o rei? O seja no seu perfil! ;) (Parênteses: às vezes, acho que as pessoas que usam os comentários das minhas postagens para se expressar só querem aparecer num perfil que tem mais visualizações, pois geralmente eu tenho mais amigos que elas e meus amigos reagem mais às minhas postagens que os amigos delas ou, mais triste ainda, elas não tem coragem o suficiente de expor sua opinião por conta própria, fazendo uma postagem no próprio perfil, e precisam comentar na postagem de outra pessoa como forma de se expressar.)

Bem, é isso! Como esse é meu blog, se eu não gostar de algum comentário, não vou publicá-lo! Hahahaha No Face também é possível apagar o que os outros comentam nas suas postagens, mas eu não apago porque gosto de deixar a pessoa passar vergonha entre meus amigos! hahahaha



domingo, 19 de novembro de 2017

Oito museus em Buenos Aires

Em julho de 2017, passei praticamente duas semanas em Buenos Aires e tive a oportunidade de visitar oito museus nessa cidade que distribui muito bem a cultura, inclusive de forma acessível. Vou falar um pouco sobre cada um deles.

Museo Benito Quinquela Martín (MBQM)

Vista lateral do terraço do museu.
Dos oitos museus, foi o que mais gostei e considero uma atração imperdível em Buenos Aires, mesmo para os turistas que fazem viagens curtas, de feriado prolongado, por exemplo. No dia em que fiz a visita, a entrada era gratuita.
A partir dele é possível ir a pé ao Caminito (aquele local com casinhas coloridas), a La Bombonera (estádio do Boca Juniors) e ao PROA (que é um centro de artes).
O museu leva esse nome porque homenageia um pintor do bairro, Benito Quinquela Martín, que pintava com uma espátula. Algumas de suas obras estão no museu. Três diferenciais me chamaram a atenção no museu:
1ª) Sala Carrancas de Proa, com proas de embarcações que afundaram no porto em frente ao museu;
2ª) Terraço com esculturas a céu aberto;
3ª) Vista do porto, Caminito e PROA do terraço. Fotos no entardecer lá em cima ficam lindas com a água ao fundo!
O museu tem uma página no Facebook que leva seu nome.

Museo de Arte Latinoamericano (MALBA)

A maioria dos blogs de turismo em Buenos Aires menciona esse museu. Como seu nome denota, seu objetivo difundir a arte da América Latina, mais especificamente o que foi produzido a partir do século XX.
Há uma taxa de entrada, mas fiz a visita numa quarta-feira, dia em que os professores não pagam. Ao entrar, é necessário guardar mochilas grandes no guarda-volumes. Fiz uma visita guiada gratuita em espanhol de cerca de uma hora, na qual a coleção permanente do museu é apresentada. Não precisei agendar para participar da visita.
A coleção do museu é extensa e bem organizada e há obras de artistas brasileiros.
Visite o site do museu para mais informações. 

Museo Participativo de Ciencias (MPC)

Também conhecido como Museo Prohibido no Tocar, é uma parada obrigatória para quem está em Buenos Aires com crianças.
O museu fica dentro do Centro Cultural Recoleta, o qual tem uma vasta programação cultural com atividades que passam pelas variadas formas de arte. Basta entrar no Centro e pegar um impresso com a programação mensal. Praticamente ao lado do Centro, fica a Igreja Nuestra Señora do Pilar e, ao lado da igreja, o Cemitério da Recoleta. Em frente à igreja, fica a Plaza Francia. Atravessando a rua do cemitério, há o Shopping Recoleta e, atrás do Cemitério, fica uma das unidades do restaurante El Club de la Milanesa, que oferece pratos fartos, saborosos e por preço justo.
No museu, cuja entrada é paga, os visitantes podem interagir com vários equipamentos e obras que abordam assuntos como percepção visual, mecânica, tecnologia, arte, luz, correntes elétricas, música, onda e som, forças da natureza, matemática etc. Ao lado das atrações, há explicações de como se deve interagir com o objeto que está ali e o que se deve observar enquanto ocorre a interação. É um local que encanta adultos e crianças e dá para passar horas lá dentro. Como visitamos o local nas férias de julho, havia muitas crianças e, por isso, ficava até difícil interagir com tudo.
Segundo o site do museu, ele está fechado no momento e a previsão é que volte a abrir em março de 2018.


Museo Nacional de Bellas Artes

Esse museu não fica nem um pouco atrás do MALBA. Lá fica uma coleção de arte argentina e também obras da arte europeia do século XIX bem interessantes.
Praticamente atrás do museu, atravessando a rua, fica o parque com a Florális Genérica, e, ao lado do parque, a Faculdade de Direito. Há um viaduto próximo à faculdade, de onde dá para tirar fotos legais, pegando a faculdade e a Florális.
A entrada do museu é gratuita. Participamos de uma visita guiada gratuita em português que introduz as obras permanentes do museu. Também há visitas guiadas gratuitas em espanhol em vários horários e não é necessário agendar para participar.
Visite o site do museu para mais informações. 

Museo Casa Rosada

Também conhecido como Museo del Bicentenário, fica atrás da Casa Rosada e a entrada é gratuita. A partir dali, também é possível ir a pé a Plaza de Mayo, que fica em frente à Casa Rosada, à Catedral Metropolitana, que fica ao lado da praça e ao Cabildo, que fica em frente à Casa Rosada, do outro lado da praça.
Lá há pinturas, esculturas e peças de mobiliário que contam a história de momentos importantes da história do país e de pessoas envolvidas nesses acontecimentos históricos. Também há ruinas preservadas do antigo forte que ficava ali.
Visite o site do museu para mais informações. 

Museo de Arte Contemporéneo (MACBA)

Esse museu fica perto do local onde acontece a Feira Dominical de San Telmo.
A entrada é muito barata e no dia em que estive lá, estudantes não pagavam.
Como o próprio nome do museu já diz, lá há obras de arte contemporânea, então, não espere encontrar aqueles quadros com pinturas tradicionais.
No dia em que fiz a visita, havia duas salas escuras, com iluminação controlada sobre esculturas de teia de aranha feitas por aranhas mesmo! Algo que eu nunca havia imaginado que veria na minha vida e o resultado ficou ótimo. Depois de visitar essa exposição temporária, assisti num auditório no próprio museu um documentário sobre como foi montada essa exibição, o que me fez apreciar a obra mais ainda. Imagine o que você pode encontrar de exposição temporária na época em que fizer a visita!
Visite o site do museu para mais informações. 

Museo del Humor (MuHu)

A entrada é gratuita e o museu fica bem próximo a Reserva Ecológica Costanera Sur. Lá há capas de revistas, quadrinhos e charges que contam momentos da história da Argentina de forma divertida. O museu fica bem próximo a Reserva Ecologica Costanera Sur.
Se você for visitar o museu, não deixe de fazer o trajeto do Paseo de la Historieta, o qual termina dentro do museu com a estátua da girafa. O Paseo é mais uma atração gratuita em Buenos Aires. É um circuito de estátuas de personagens famosos dos quadrinhos argentinos. Essas estátuas formam um circuito nas ruas nos bairros Monserrat, San Telmo y Puerto Madero. O circuito começa na estátua da Mafalda. No chão, próximo a cada estátua, há o nome da personagem, uma breve descrição sobre a mesma, o nome do autor e o ano de criação e as direções, com distância e nome da personagem que vem antes ou depois da estátua no circuito. Dessa forma, o turista vai seguindo as direções nas plaquinhas para encontrar as próximas personagens. É um passeio divertido e que garante fotos descontraídas no seu álbum de viagens!
Para mais informações, clique aqui.

Museo Casa Carlos Gardel

O museu fica na casa onde Carlos Gardel (compositor famoso de tangos) viveu com sua mãe de 1927 até sua morte em 1933. Fomos lá numa quarta-feira, dia em que a entrada é gratuita (muitos museus em Buenos Aires oferecem entrada gratuita ou por preço reduzido em algum dia da semana). Nesse museu, assim como em muitos outros da cidade, há visitas guiadas gratuitas; pegamos o final de uma delas.
            É um museu pequeno, onde se pode aprender um pouco sobre tango e sobre a vida interessantíssima desse compositor, com fatos que surpreendem.
           Para mais informações, clique aqui.

           Se você quiser mais dicas sobre Buenos Aires, leia o meu texto Dicas para organizar uma viagem a Buenos Aires.

Luciana Estarepravo da Silva


domingo, 6 de agosto de 2017

Quando as pessoas te ignoram

Primeiramente, se você chegou até aqui, leia este texto até o final. Não lhe digo isso apenas porque fui eu quem o escrevi e, por isso, obviamente, é meu interesse que você o leia. Também lhe digo isso porque nada é por acaso e, portanto, não é por acaso que você deu de encontro com esse texto. Talvez você chegue a um parágrafo que fale sobre crenças das quais você não partilha. Ainda assim lhe digo: leia até o final! Você lerá sobre outras crenças que talvez sejam as suas, ou aprenderá algo novo ou ainda poderá, unindo todas essas informações, criar um conceito só seu.
Todo texto tem uma motivação. Às vezes, passo os olhos pelos textos antigos deste blog e fico pensando “O que me levou a escrever este texto?”. Outras vezes, me lembro qual foi o motivador sem dificuldades. Hoje, tive muita vontade de incluir no próximo parágrafo a história do que aconteceu nesta semana e que me levou a escrever esse texto, mas acho que vou deixar de lado a minha vontade de me lembrar o motivo no futuro e vou priorizar a curiosidade que levou você leitor a chegar até aqui.
Passei um período da minha vida frequentando um lugar ao qual eu chegada, dava “Boa tarde” e as pessoas ali não me respondiam. Isso não ocorreu um dia ou só com uma pessoa dali. Acontecia praticamente todos os dias e eu era ignorada por mais de uma pessoa!
Não ter meu “Boa tarde” correspondido me fazia sentir sufocada. Na época, achava que era aquele ambiente que me sufocava; hoje, depois das vivências que a vida proporciona e um maior grau de autoconhecimento que vem com essas vivências, prefiro achar que o que me sufocava era a quantidade de luz e boa energia que queria emanar de mim para os outros e ali não encontrava alvos para recebê-la e minha crença insistente, na época, que essa energia tinha que encontrar pontos de conexão ali, naquele lugar.
Acredito sim que aprendemos com absolutamente tudo na vida. Não foi diferente com esse período que acabei de descrever. Se não fosse ele, talvez, esse texto não ficasse tão rico assim. Além do mais, havia mais alguém sentindo o mesmo que eu naquele lugar e, hoje, a pessoa faz parte do meu círculo de contatos frequentes e fico feliz por isso.
Tenho o costume de ficar na porta da sala de aula cumprimentando os alunos que chegam. Fico impressionada, neste ano letivo, com o número de alunos que passa por mim e nem olha na minha cara e muito menos responde o meu “Good morning!” (bom dia). É claro que fico chateada com a situação não só por ser naturalmente uma pessoa que tende a “pegar mal” com pequenas coisas (amigos que estão lendo este texto: posso parecer desligada, insensível e “de boa”, mas “pego mal” com pequenas coisas, muito embora eu não fale ou demonstre), mas também por ser professora e, como tal, achar que educação é o mínimo que as pessoas têm que ter umas com as outras para a sociedade poder ser um lugar agradável.
Contudo, depois das experiências que vivi até hoje, os textos que li, as culturas que conheci e as pessoas que encontrei, gosto de imaginar, de forma figurada, que de algum lugar é possível olhar para o mundo e enxergá-lo como um pano de fundo azul escuro e, as pessoas, como pequenos pontinhos de luz. Quando elas conseguem se conectar umas às outras, seria possível, nessa minha imagem figurada, ver caminhos de luz.
Hoje penso assim porque na minha religião (católica), comemoramos o nascimento de Jesus no dia 25 de dezembro porque antigamente, nesse mesmo dia, era celebrada uma festa pagã em comemoração ao deus Sol. Para substituir esse costume, a Igreja Católica determinou que se celebrasse o nascimento de Cristo nessa data, porque acreditamos que Jesus é o nosso Sol, como afirma o Catecismo da Igreja Católica, livro importante para nós, depois da Bíblia:
“A luz dos povos é Cristo: por isso, este sagrado Concílio, reunido no Espírito Santo, deseja ardentemente iluminar todos os homens com a sua luz que resplandece no rosto da Igreja, anunciando o Evangelho a toda a criatura» (120). É com estas palavras que começa a «Constituição Dogmática sobre a Igreja» do II Concilio do Vaticano. Desse modo, o Concílio mostra que o artigo de fé sobre a Igreja depende inteiramente dos artigos relativos a Jesus Cristo. A Igreja não tem outra luz senão a de Cristo. Ela é, segundo uma imagem cara aos Padres da Igreja, comparável à lua, cuja luz é toda reflexo da do sol”. (Catecismo da Igreja Católica, 748).
Um pequeno parênteses: historiadores apontam o nascimento de Cristo em outro mês do ano e a Igreja compartilha dessa ideia (embora muitos achem que não, mas a Igreja Católica leva e muito em consideração o conhecimento científico e, é com base nele, que boa parte de nossa tradição está consolidada), mas acreditando ser Jesus a sua luz, a Igreja buscou ofuscar a festa pagã colocando o Natal aí.
Bem, se Jesus é nossa luz, e parecemos brilhar como a Lua, astro que não tem luz própria, também podemos iluminar a noite, que pode ser o mundo, assim como o faz a Lua.
Ainda explicando um pouco a minha imagem figurada, na Bíblia está escrito: “Em toda casa em que entrardes, dizei primeiro: Paz a esta casa! Se ali houver algum homem pacífico, repousará sobre ele a vossa paz; mas, se não houver, ela tornará para vós”. (Lc 10, 5-6)
Assim, acho que quando eu chegava naquele lugar e dava um “Boa tarde!”, que é uma forma mais atual de desejar a paz à alguém, e eu não era respondida, esse “Boa tarde” voltava para mim. Mas meu desejo de partilhar esse bom sentimento continuava ali, em mim, querendo encontrar alguém que o acolhesse.
Dessa forma, temos em nós uma luz que vem de Deus e naturalmente queremos iluminar os outros, mas se essa luz não encontra um ponto de conexão que queira ser iluminado, ela continua emanando da sua fonte, assim como na noite é possível ver a luz de um farol à beira mar criando um feixe de luz no céu.
Alguns amigos espíritas já me disseram (perdoem-me os espíritas se eu estiver dizendo algo que não condiz com a sua forma de entender o mundo) que eles também acreditam que as pessoas são seres que a cada vida buscam desempenhar melhor a sua missão para ser, um dia, completamente, seres de luz. Vê-se aí um exemplo claro de como religiões, filosofias e crenças têm muita coisa em comum e cabe a nós vermos a beleza que é a grande conexão que há em tudo nesse mundo, ao invés de ficar destacando as diferenças.
Tendo dito tudo isso eu quero dizer que mesmo que você tente estabelecer conexões de luz com outras pessoas, cumprimentando, ou sendo gentil, ou tentando ajudar com um conselho ou sei lá de que forma e as pessoas não acolham o que de bom você tem a partilhar, o que há de bom em você continua emanando para o mundo, abrindo um caminho como que de luz que, na minha opinião, vai te levar até outra pessoa ou vai fazer outra pessoa percorrer esse caminho de luz até chegar a você.
Para exemplificar, volto ao meu exemplo do “Bom dia!” não correspondido por muitos de meus alunos. Apesar desse meu hábito educado parecer para mim, a princípio, não estar atingindo ninguém, incrivelmente, uns alunos da escola que não são meus alunos, têm vindo a minha sala conversar comigo sem, aparentemente, motivo algum. Gosto de pensar que a minha luz chegou neles de alguma forma e eles decidiram percorrer esse caminho iluminado para encontrar de onde vinha a luz. Também colegas de trabalho que eu achava que nem estavam muito atentos a minha presença ali já me chamaram no cantinho para dizer que veem coisas boas que eu faço e que ficam felizes por isso. Outros também já chamaram no cantinho para dar um abraço e perguntar se estava tudo bem, quando de fato não estava, e eu nem imaginava que a pessoa prestasse atenção na minha existência ali e muito menos que alguém ali podia notar o que passava no meu interior. Para mim, essas pessoas são seres abertos a receber a luz que vem dos outros e, por isso, conseguem estabelecer essas conexões do bem.
Sendo assim, por fim, ressalto: seja bom, deseje o bem, seja educado, diga e faça o bem para o outro. Sei que chateia muito ser ignorado, principalmente por alguém que você achava que era seu amigo, mas o bem que é a luz que está em você vai criar caminhos iluminados no mundo e alguém vai encontrar esse caminho até você e, lá daquele ponto imaginário que minha imagem figurativa descreve, alguém vai ver uma luz muito forte brilhando entre duas pessoas e o mundo vai parecer mais lindo e iluminado. Alguém, na verdade, muitos alguéns, estão esperando encontrar essa luz que vem de você.
Um abraço de luz!

Luciana Estarepravo da Silva
Formada em Letras (Português/Inglês), especialista em Docência da Língua Inglesa, cursando Pedagogia.




sexta-feira, 7 de abril de 2017

Em que momento deixamos de demonstrar afeto?

Somos duros como gesso; escondemos nossos sentimentos, enquanto
seríamos tão mais lindos se  permitíssemos que o mundo visse nossa
fragilidade, assim como permitem as flores.
Recentemente, comecei uma segunda licenciatura (Pedagogia) e, com o curso, veio o estágio supervisionado, o qual, no primeiro momento, é na Educação Infantil (creches e escolas de ensino infantil).
No primeiro dia de estágio, a escola onde decidi cumprir o estágio obrigatório achou que eu seria útil numa turma de Pré II (crianças com quatro e cinco anos de idade). E lá fui eu, ajudar a professora no que fosse preciso.
O que acontece numa sala de Educação Infantil é novidade para mim, já que numa trabalhei em escolas regulares que oferecessem essa modalidade de ensino, contudo, a maneira como as crianças dessa idade agem não era novidade, pois dei aulas de inglês por muitos anos para essa faixa etária.
Com base na minha experiência, eu já imaginava que muitas crianças da turma iriam “gostar” de mim. Eu me lembro que quando eu era criança, gostávamos muito das estagiárias, ou das tias (no sentido de parentesco mesmo) mais jovens, ou das vizinhas adolescentes. Nos quase dez anos em que dei aulas em escolas de idiomas, eu também notava a mesma coisa. Havia horários do dia em que a escola tinha turmas de crianças e, muitas vezes, naquele horário eu dava aula para adolescentes ou adultos, mas quando passava pelas crianças, mesmo elas não me conhecendo, conversavam comigo, faziam perguntas... demonstravam uma certa atração pela minha pessoa e para mim, parecia que por algum motivo me achavam legal e queriam ter aula comigo. Não sei se essa atração dos pequenos continua quando nós, professoras (no feminino mesmo) ficamos fisicamente mais velhas e não sei se essa minha constatação já tem alguma base científica, mas para mim, é fato que crianças gostam de mulheres jovens.
Voltando ao primeiro dia de estágio, logo que entrei na sala, algumas crianças já se aproximaram de mim e começamos os primeiros contatos. “Qual é o seu nome? O que você está fazendo aqui? Você vai ficar com a gente?”...
Entretanto, o que mais me chamou a atenção e é o fato motivador deste texto foi a atitude de uma menina que demonstrou ter gostado muito de mim. Ela me mostrava seus desenhos, queria se sentar ao meu lado no momento da roda, quando as crianças sentam em círculo no chão, queria que eu brincasse com ela no parquinho, segurava a minha mão para caminhar e passava a mão no meu cabelo. Todas essas atitudes dela em relação a mim não eram exclusivas dela: outras meninas, e também alguns meninos, fizeram as mesmas coisas, mas não com tanta frequência. Até aí, tudo isso era previsível para mim.
No momento da merenda, é combinado com os alunos dessa escola que eles devem permanecer sentados, mesmo que não queiram comer. Depois de comer, essa menina, sentada perto de mim, queria que eu brincasse com ela de Adoleta. Outras crianças viram e também queriam brincar conosco, na verdade, comigo (risos). Obviamente, dei um jeito de incluir as outras crianças adaptando a brincadeira para roda, assim, nos toques de mão, as crianças teriam que tocar em que estava a sua direita e a sua esquerda.
Notei que a menina em questão não gostou muito do fato de que eu dividi a atenção que era exclusiva para ela com outras crianças.
No decorrer do estágio, fui notando que ela sempre queria sentar ao meu lado e eu, claro, sempre dava um jeito de me sentar próximo a diferentes crianças, já para que nenhuma crie um vínculo muito forte comigo, porque ficarei por ali por pouco tempo, e também porque quero efetivamente ajudar a professora da turma, principalmente no que diz respeito à disciplina. Assim, me sentar próximo a alguns alunos mais indisciplinados é o que devo fazer. No momento chamado “diversificado”, no qual as crianças passam por diferentes atividades na mesma sala, eu procuro dividir a minha atenção com todos os grupos e interajo com todas as crianças, mas a tal menina sempre quer que eu esteja com ela e ela não quer interagir com as outras crianças ou com as atividades propostas. Ela quer interagir comigo, exclusivamente!
Observando como ela exclui as outras meninas no momento da merenda, quando essas outras meninas nos veem brincando de Adoleta e se aproximam de mim pedindo para que eu brinque com elas ou como ela fica triste e se isola quando eu não me sento perto dela, comecei a refletir sobre como nós, adultos, somos diferentes das crianças no que diz respeito a demonstrar afeto!
Essa menina demonstra claramente seu afeto por mim. Ela me abraça, me chama para brincar, passa a mão no meu cabelo e quando está sentada perto de mim, dá um jeitinho de estabelecer algum contato físico, como se apoiar no meu braço. Nós, adultos, muitas vezes até queremos dar aquele abraço quando vemos alguém de quem gostamos, mas o máximo que fazemos é dar um sorriso e um “Oi”, sem estabelecer contato físico.
Quando outra criança quer estar comigo, ela descaradamente (esse é um termo bem adulto, típico de nós, que depois de crescidos, achamos quase que uma falta de pudor quando alguém que não tem um relacionamento amoroso claramente demonstra ciúmes) diz a outra criança “Sai” ou “Sou eu que estou brincando com ela (a Luciana)”. Nós adultos, nunca deixamos que percebam que estamos tentando excluir qualquer outra pessoa que queria “roubar” a atenção daqueles que nos são queridos. Aliás, digo mais: nós não lutamos para não perder a atenção daqueles que nos são queridos. Se algum amigo está conversando conosco e, de repente, outra pessoa começa a conversar com ele, nós, simplesmente pensamos “Deixa para lá” e ficamos assistindo, com aperto no coração, nosso amigo “se divertindo” com outra pessoa. E nada fazemos para reconquistar a atenção do outro.
No dia do brinquedo, quando as crianças tinham que levar brinquedos para a escola e brincar com os mesmos e dividi-los com os colegas, essa menina não queria brincar com seu brinquedo e nem com o dos outros. Ela queria brincar comigo. Como eu deliberadamente não brinquei com ela e repeti várias vezes que o momento era para ela brincar com seu brinquedo e com os colegas e “larguei-a” de lado e fui me relacionar com as outras crianças, ela ficou isolada e quieta num canto e, no momento da roda, ela nem queria se juntar a turma. Ou seja, ela se emburrou claramente porque eu não “quis” passar um tempo com ela. Nós, adultos, não nos “emburramos” claramente quando nos sentimos como que deixados de lado (só nos emburramos deliberadamente no caso de relacionamentos amorosos, o que não tem nada a ver com o que estou tratando neste texto. Aqui, a reflexão é sobre amizade).
A partir de toda essa minha observação eu penso: como nós, adultos, nos controlamos, cerceamos nossos sentimentos, para que o outro, de quem gostamos (e aqui eu explico as aspas que usei no verbo “gostar” no início do texto. Neste texto, estou usando gostar no sentido literal da palavra. Não quero tratar de nossas atitudes com relação àqueles que amamos por natureza – familiares, namorado, marido etc – estou falando de amigos, colegas de trabalho, professores, conhecidos da igreja, vizinhos etc, cuja presença simplesmente nos agrada. Simplesmente porque não queremos nada além com essas pessoas, simplesmente queremos elas do jeito que são, porque é o que nos encanta.) não perceba que ficamos incomodados quando ele não nos dá a atenção que queremos!
Como as crianças demonstram seu carinho, nos abraçando, dizendo abertamente “Você sabe que eu te amo?” (a menina em questão e muitas outras crianças da turma já me disseram isso várias vezes), enquanto nós, adultos, com receio de parecermos ridículos ou por sermos socialmente engessados por sabermos que o outro pode entender uma demonstração de afeto como algo no sentido de interesse sexual, deixamos de dizer um “Poxa! Como é bom conversar com você. Como você fala de assuntos que me interessam” ou ainda “Como você é coerente e inspirador nos comentários que você faz”, ou “Como eu gosto do seu estilo de roupas” ou “Como me encanta seu jeito de falar”. Resumindo, às vezes a nossa vontade, ou pelos a minha, é de dizer “Você é um baita de um ser humano. Graças a Deus que você existe e como é bom que você exista exatamente do jeito que você é e como eu sou grato por poder conviver com você”. Mas quem disse que a gente tem coragem de dizer uma coisa dessas?
Além da nossa incapacidade de permitirmos que o outro saiba o quanto ele é maravilhoso para nós, ainda temos essa mania de mascarar nossa tristeza, ou nosso incômodo, ou até revolta, quando as pessoas de quem gostamos negligenciam a nossa amizade ou mesmo a nossa existência (risos).
Eu, particularmente, fico de imediato triste e, depois, com certo nível de raiva, quando pessoas de quem eu gosto/admiro, não respondem o meu “Bom dia/Boa tarde/Boa noite” quando chego à algum lugar onde a pessoa está juntamente com outros. Também me entristeço quando essas pessoas simplesmente passam por mim sem dizer nada. Mas, quem disse que somos humanos o suficiente para chegar até a pessoa e puxar papo? Preferimos deixar a oportunidade de estarmos com o outro pelo simples fato de sermos adultos e acharmos que é idiotice buscar nos relacionarmos com o outro.
Tendo dito tudo, retomo o título deste texto: em que momento deixamos de demonstrar afeto? Em que idade desenvolvemos essa noção ridícula de que não podemos ficar abraçando e demonstrando afeto para com as pessoas que não são nossos parentes ou cônjuge? Em que momento passamos a acreditar que é praticamente uma imoralidade querer estar junto de quem gostamos o tempo todo? Em que momento da vida nos apropriamos desse senso comum de que demonstrar estar chateado ou ficar emburrado porque alguém simplesmente não nos deu a atenção que gostaríamos é ridículo? Certamente deve haver alguma explicação na área da psicologia ou sociologia sobre a idade exata em que a demonstração dos nossos sentimos passa a ser controlada e não espontânea como nas crianças.

Ridículo é o fato de que vivemos um dia após o outro, caminhando em direção à morte e vendo aqueles que nos são queridos caminhar em direção a ela também, e deixamos passar a oportunidade de fazermos com que eles saibam em vida o quando nos são queridos e quão maravilhosos são.

Luciana Estarepravo da Silva

Possui licenciatura plena em Letras (Português/Inglês), é especialista em Docência da Língua Inglesa e estudante de Pedagogia